Incorporando acústica adequada em projetos com estruturas aparentes

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Imagem: archideaphoto, de envatoelements

O desafio de desenvolver projetos de conforto, sobretudo acústico, é um tanto quanto ingrato, uma vez que só prestamos atenção nele quando não funcionam adequadamente nos espaços. São muitas as queixas comuns: ouvir mais a conversa da sala ao lado do que a que ocorre no seu espaço, ter que gritar para ser entendido por alguém ao seu lado ou ouvir ecos excessivos nos ambientes que tornam o convívio exaustivo. Justamente esse último problema é bastante comum em espaços com estruturas aparentes, sem materiais de revestimentos. Por geralmente serem materiais pouco absorventes acusticamente, como concreto, vidros ou metais, é bastante comum que espaços com estéticas mais industriais apresentem tempo de reverberação alto. Isso quer dizer que um som emitido demora a desaparecer, pois continua refletindo nas superfícies do espaço e juntando-se aos outros sons produzidos, criando um ruído incômodo e reduzindo a compreensão das falas.

Mas isso não quer dizer que todos os ambientes deverão parecer um estúdio de gravação para ter uma boa acústica. Até em edifícios e espaços que mantenham os materiais e instalações aparentes é possível atingir um conforto acústico adequado.

Em suma, proporcionar uma absorção acústica adequada para um espaço é importante para melhorar a inteligibilidade da fala e reduzir os níveis de ruído. O Tempo de reverberação (TR) depende do volume da sala e da quantidade de absorção sonora instalada dentro da sala, de modo que pequenas salas de superfícies duras são "mais altas" do que grandes salas bem tratadas. Tempos de Reverberação curtos (
Para diminuir o Tempo de Reverberação em um espaço para torná-lo adequado à atividade a que o espaço se propõe, geralmente são incluídas superfícies constituídas por materiais porosos e fibrosos, como espuma, madeira ou tecidos. Mas além do TR, há outros conceitos importantes ao se levar em conta ao se especificar um elemento acústico, que geralmente figuram nos catálogos dos fabricantes desses tipos de produtos:
-NRC (Noise Reduction Coefficient - Coeficiente de redução de ruído) é uma medida padrão para a absorção acústica de um material que varia de 0,00 (sem absorção) a 1,00 (absorção total).
-CAC (Ceiling Attenuation Class - Classe de atenuação de teto) é uma medida padrão da capacidade de um sistema de teto de bloquear o som entre dois espaços fechados. Valores CAC de 35 ou mais são recomendados para obter privacidade.
-NIC (Noise Isolation Class - Classe de isolamento de ruído) é uma medida padrão da atenuação total do som entre dois espaços fechados. Ele considera o teto, a parede e outros acabamentos internos.
-AC (Articulation Class - Classe de Articulação) é uma medida padrão da capacidade de um sistema de teto atenuar o som em um grande espaço aberto. Valores AC de 170 ou mais são recomendados para reduzir a distração da fala.
-Sabin é a unidade de medida para absorção total do som de um objeto acústico (como lâminas, defletores, nuvens e dosséis).

O grande desafio é equilibrar a estética aparente aos elementos de absorção acústica. Isso pode ser feito de duas abordagens distintas: Ocultando os materiais junto a estrutura ou destacando, como parte da estética do projeto. Há no mercado, atualmente, algumas opções de elementos acústicos Horizontais, Verticais e Painéis Suspensos, que oferecem graus similares para a diminuição do Tempo de Reverberação, mas com diferenças marcantes na estética, deixando a estrutura e as instalações mais ou menos expostas.

Elementos Acústicos Horizontais

Ocultos
Anexadas ao teto, tratam-se de soluções acústicas que mantém as estruturas completamente expostas, ao mesmo tempo que cumprem a função de reduzir o ruído. A cor pode ser ajustada à tonalidade do teto, fazendo com que o elemento acústico produza o mínimo de interferência visual.

Aparentes
Essas opções, por outro lado, geralmente são constituídas por painéis horizontais posicionados afastados do teto, abaixo das tubulações hidráulicas e das diversas instalações. Ainda assim, pode ser ou não um forro contínuo, já que há vezes em que o distanciamento entre os painéis, mantém o contato visual com a estrutura e as instalações. O número de painéis e seu distanciamento deve ser calculado por conta dos requisitos acústicos do espaço. Nesse caso, pode-se tomar partido desses elementos para compô-lo esteticamente, trabalhando com cores e formas distintas.

Elementos Acústicos Verticais

Lâminas
Elementos verticais, sejam lineares e simples ou ondulados, criam um padrão sofisticado, ao mesmo tempo que uma permeabilidade ao forro. O sentido desses elementos também direciona o olhar do observador, podendo orientar fluxos e criar a sensação de ampliação dos espaços.    

Defletores
Os defletores funcionam como painéis verticais, onde todas as suas superfícies possuem propriedades acústicas. As bordas, alturas e espessura dos painéis para a acústica e estética podem ser customizáveis para cada espaço.

Elementos Acústicos Suspensos

Nuvens Independentes
Quando há uma necessidade de se criar espaços mais acolhedores em um grande plano aberto, como um grande escritório sem divisórias, por exemplo, elementos suspensos tipo nuvens podem funcionar muito bem, além de criarem um espaço agradável acusticamente.

Nuvens em grupo
As nuvens em grupo são soluções acústicas flutuantes, localizados onde há a necessidade de melhorar o conforto acústico. Assim como as nuvens independentes, estes proporcionam ambientes mais introspectivos e aconchegantes, não somente por reduzir o tempo de reverberação e tornar os espaços mais silenciosos, mas por diminuir o pé-direito. As possibilidades de formas, cores e materiais são imensas, e podem se adequar aos distintos requerimentos de cada espaço.

Em todas essas opções, existem diferentes formas geométricas, dimensões e cores que podem ser combinados para obter conforto acústico adequado para cada zona de um projeto arquitetônico, misturando funcionalidade e design e marcando fortemente o caráter de cada espaço.